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Sinto-me ignorante

É claro que isto tem solução. O que há a fazer é deixar o tempo passar e continuar com os olhos, os ouvidos e o cérebro bem disponíveis.

Mas por enquanto sinto-me um néscio acéfalo. Faço parte de uma turma de dezena e meia de pessoas, quase todos de 20 anos, à excepção de alguns que têm 30.

Estou sempre atrasado e perdido. É muita informação, são imensos conceitos, várias ferramentas tecnológicas, diversos endereços de Internet, nomes de utilizador, palavras chave.

É tudo em inglês. Apesar de o meu uso do idioma de Shakespeare ter melhorado a olhos vistos, não é a minha língua nativa.

A senhora professora é cinco estrelas. Assertiva nas doses certas, rigorosa, paciente, clara, explicativa. Está sempre a trazer-nos biscoitos, bolachas, guloseimas de todos os tipos e até fruta, no meu caso.

Atribui-nos todas as actividades possíveis e imaginárias, para dominarmos o conhecimento através da prática. Deixa-nos fazer simpáticos intervalos quando já estamos a cair para o lado.

Brinca connosco, espicaça-nos e capta a nossa atenção. Quando vê que não estamos a conseguir manter-nos concentrados, diz-nos que podemos ficar de pé e mexer-nos, para não nos irmos abaixo.

Gosto de vê-la a explicar as coisas e a puxar por nós. Não sabia que havia formadores tão eficazes e dotados.

Isto quer dizer que, tirando os meus neurónios destreinados e baralhados, tenho tudo a meu favor.

Daqui a umas semanas espero manusear facilmente as ferramentas, resolver os casos, esclarecer as dúvidas dos utilizadores e ser um bom agente de atendimento e apoio ao cliente, por escrito e telefonicamente, em português e inglês.

E a avaliar por todas as informações recolhidas, este parece ser o call center mais agradável e interessante do mercado, nomeadamente para quem não tem experiência na área.

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