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Sinto-me como o Neymar

É verdade, sinto-me um pouco como o Neymar. Se eu for mostrar o meu verdadeiro palmarés, assumir todos os clubes onde já estive, e durante quanto tempo, toda a gente vai ficar assustada.

Vão achar que nunca poderiam contratar-me. Acreditarão que só se forem um clube que esteja no bolso do Qatar e possa comprar pessoas como copos de água ou de café é que poderão alguma vez recrutar-me.

Ainda me vou sentir culpado por provocar uma guerra entre a Arábia Saudita e o Qatar.

Nas várias versões do meu currículo em português e inglês, já cortei a idade, o estatuto de divorciado, a foto e metade da experiência, bem como boa parte das datas.

Tinha feito uma carta de apresentação estupidamente curta, que só tinha um parágrafo. A minha melhor amiga disse-me que estava muuito longa. Parecia uma grande lista de coisas. Encurtei-a ainda mais.

Durante este Verão, também deixei de me concentrar em concorrer para a área do jornalismo, dos conteúdos, da comunicação social ou outras relacionadas. Não há espaço.

Tal como fui aconselhado, estou a alargar os campos. Até gostava de trabalhar com animais, como cat sitter, por exemplo. Ou dar formação. Ou dar explicações. Ou fazer assessoria de imprensa. Ou outra coisa qualquer.

Acho que seria capaz de fazer quase tudo, menos vendas. Impingir frigoríficos a esquimós e aquecedores a berberes não é para mim. Não tenho nada contra, nem a favor. Simplesmente, não era capaz de o fazer.

Fora isso, restam infinitas coisas que podia fazer. Basta que esqueçam as minhas parecenças meramente aparentes com o Neymar e me contratem…

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