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Os guerrilheiros invencíveis

Mostrando os dentes, com uma chama de triunfo e de raiva a brilhar nos olhos negros, empunhava tudo o que encontrava sobre a secretária e tudo arremessava ao adversário com tal furor, tanto estrondo, que Balder se deixou cair no soalho protegendo com as mãos o crânio calvo”.

Os nazis chegaram a Krasnodón em Julho de 1942. Na cidade ucraniana da União Soviética foram atacando e desmantelando a rede de resistência, comandada pelo Partido Comunista.

Os guerrilheiros e resistentes retratados em a Jovem Guarda, romance “documental” de Alexandre Fadéiev (uma verdadeira reportagem, feita pelo jornalista e escritor no local e depois composta por ele como um romance), não cedem, não se cansam, não confessam e não vacilam.

Dois deles, Mátvei Chulgá e Valkó, são capturados e reunidos no mesmo interrogatório. Fingem que não se conhecem. Mas a atitude dos interrogadores, que, visivelmente, têm ordens para não os matar, fá-los mudar de atitude.

Segue-se uma cena de pancadaria épica, acima descrita, em que os dois velhos combatentes se sentem invencíveis e agem como tal, perante dezenas e dezenas de soldados nazis.

A prisão enche-se com ainda mais soldados, e, com o passar das horas e a pancada, os dois super-guerrilheiros são dominados. Os alemães, que não conseguem arrancar nada a estes presos nem aos outros que estão na mesma cadeia, decidem executá-los todos.

O método escolhido consiste em enterrá-los vivos. Homens, mulheres, velhos, novos, uma mãe com a criança ao colo. Chulgá, o herói soviético que se mantém de pé até deixar de estar vivo, decide entoar o cântico comunista, a Internacional Socialista.

Os outros presos que estão a ser executados com ele da mesma forma seguem-lhe o exemplo. Ao longe, bem longe, uma mulher caminha na estepe. Não sabe se está a sonhar ou se ouve bem. De entre as trevas mais negras e profundas, no meio da escuridão total da noite, há um som que sai das entranhas da terra. Vindos debaixo do chão, ouvem-se os acordes da Internacional.

Sete décadas depois de todo aquele horror, seria de esperar que se tivesse aprendido alguma coisa. Mas não parece que seja esse o caso.

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