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A água não é toda igual!

Desde que as estatísticas sobre a insuficiência renal cá de casa (75% de casos, sem contar comigo) desaconselharam o uso de água da torneira, os meus companheirinhos ronronantes de todas as horas passaram a ter tratamento (mais) VIP no que toca à hidratação.

Com intervalos máximos de duas semanas, faço uma aquisição especial de água de Monchique. O problema é que a água de Monchique, a mais perfeita, saudável e equilibrada de todas, não é fácil de encontrar. Não existe em todo o lado.

Não há no Minipreço. Não há no Lidl. Não há no Pingo Doce. Há no Continente. Mas não em todos. Então, passei a deslocar-me periodicamente ao Colombo para adquiri-la.

Habituei-me a trazer uns quatro garrafões de cinco litros, que não chegam completamente para duas semanas. Tentei levá-los ao colo para a caixa registadora, mas não correu bem. Passei a empurrá-los com o pé, deixando-os deslizar suavemente sobre o soalho sintético, até chegar o momento de pagar.

Depois disso, furava os dois packs de dois garrafões de cinco litros ligeiramente, na zona da pega de um deles. E levava-os, assim, dez litros de cada lado, até ao parque de estacionamento e ao carro, esperando que se mantivessem suficientemente inteiros até lá.

Naquele dia, aplicava o tal jogo do empurra até à caixa, deixando alguns dos outros clientes surpreendidos. Quando lá cheguei, encontrei uma rapariga jovem, sorridente e simpática. Achou todo aquele esforço um pouco inglório.

Junto com o seu sorriso, ofereceu-me uma ficha para os carrinhos de compras, e indicou-me onde se encontravam. Aquele gesto de gentileza e amabilidade deixou-me, também a mim, a sorrir.

É verdade que a água não é sempre igual. Umas são mais puras, neutras, ácidas, alcalinas… Quem se dedica à sua apreciação e tem o paladar apurado concluirá que gosta mais de umas do que de outras, que esta sabe assim, que aquela se sente de outra forma.

Sobre as empregadas das caixas e as pessoas em geral, pode dizer-se exactamente o mesmo. Algumas pessoas são simpáticas, delicadas, diplomáticas, corteses. Fazem aquilo que têm que fazer, bem, e de uma forma consciente e empenhada. E, depois, há as outras. As que vêem mais longe, e que estarão sempre dispostas a percorrer mais uns metros, ou mais um quilómetro, só para saber que deixaram os outros um pouco mais confortáveis, um bocadinho mais bem dispostos, um nadinha mais felizes…

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