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Mistérios da natureza animal e humana

A nossa relação tem vindo a atingir a perfeição ao longo dos anos.

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“Gatinhaa!!” não é menos preciosa que o meu braço ou outra parte de mim. Jeremias, O Gato, aprofundou a conexão do seu cérebro com a minha mente durante esta década. E mais ainda em tempos pandémicos.

A verdade é que passamos 24 horas por dia juntos.

E se me preocupo com a frágil saúde da minha bonequinha cor de azeviche e de olhos cintilantes que me veneram, com este sólido tigre de 13 anos não é diferente.

Os seus apetites, as suas indisposições e a sua idade também me deixam em alerta permanente.

Idolatro a minha pequenina de sete anos e o meu pensamento está o tempo todo virado para o sénior lindo e carinhoso que segue cada um dos meus movimentos como uma sombra.

De modo que o lince listado cujo mundo gira à minha volta quase que sente os meus pensamentos e as minhas acções antes de acontecerem.

A minha mãe explicou-me que isto é natural com pessoas e animais que passam a vida juntos durante muito tempo.

Quando estou a planear levantar-me para ir almoçar, parece que antes de ter essa decisão totalmente formulada pelas minhas sinapses neuronais já ele está a levantar-se de cima do sofá junto à luminosa janela que prefere, a miar e a dizer-me: “Vá, humano, vai lá e eu faço-te companhia”.

Começo a pensar: “Jeremias, estás aí parado há tanto tempo, está tudo bem?”. Levanta-se, mia e vai comer uns grãos de ração.

Digo para mim que já estou sentado há muito e quero ir esticar as pernas. Desenrola-se e aparece junto a mim como que por milagre, olhando-me, conversando comigo e dizendo: “Bora. Vamos mexer-nos um bocado!”.

São assim os mistérios da natureza animal e humana.

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