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Tenho os lábios a saber a morfina

Numa das suas pancreatites, que se espera em vias de ser ultrapassada graças à Medicina da Doutora Mágica dos Felinos, a “Gatinhaa!!” viu-se na iminência de tomar um morfínico, e foi isso que aconteceu na última semana (e mais alguns dias).

O nome assusta um pouco, mas é apenas um analgésico certeiro e eficaz para que não tenha dores no pâncreas e recupere o apetite.

Também tem tomado um antibiótico e tem tido direito a variar as rações, para que a actividade alimentar se torne mais agradável e atraente.

Quanto ao morfínico, ele chegou a casa em pequenas seringas, cada uma com uma reduzida quantidade, para serem utilizadas duas vezes por dia.

O fármaco é um xarope.

Se ela fosse uma criança da espécie humana, dar-se-lhe-ia com uma colher.

Assim, a ideia é pegar na seringa de plástico e introduzir o líquido, de sabor exótico e pouco apreciado por ela, na sua boquinha.

Começámos nisto na terça-feira, há uma semana.

Ela não fica muito feliz e dá-lhe para cuspinhar um pouco no fim. Eu dou-lhe um beijo suave, de pai, na boquinha, limpo-lhe os lábios com um guardanapo e ela acalma-se.

A Doutora diz que ela sabe, sente e percebe que aquilo é importante e útil e lhe ataca a pérfida patologia.

Acaba por aceitar a terapia, que se prolongará ainda por mais dois dias.

A consequência de tal acto médico é que tenho os lábios a saber a morfina, condição etérea que não julgava viesse a suceder nos meus breves dias de passagem pela Existência.

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