Um sono que não acaba

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O pessoal anda escandalizado, indignado até à medula. Findou o Verão! O calor está de malas feitas. Chove.

Que horror, como é possível? É indecente, inaceitável. É por estas e outras que o prestígio dos políticos está como está.

Continuo a cumprir o meu plano de vida, trabalhar seis meses por ano de calções, de Maio a Outubro.

Não concordo com o estado de espírito geral de protesto contra a insuficiência das alterações climáticas.

Adoro o calor dos 25 aos 30 graus, e não fico deprimido em casa só porque o estio de seis meses é artificial e causado pela destruição em curso do Planeta.

Mas estava ansioso pela chegada do Outono!

Ele e o Inverno são épocas do ano muito mais carinhosas e aconchegantes do que este Verão parado no tempo.

Armei-me em friorento e comecei, já esta semana, a dormir debaixo do édredão. Porquê?

Se a Amélinha (a “Gááta!!”) e o Jeremias dormem em cima de mim, agarrados ao meu corpo, encostados à minha pele, mesmo que estejam 35 ou 37 graus, a Matildinha está sempre a ser perseguida e importunada por eles…

Assim, não se junta a nós na cama tão facilmente nessa época quente e luminosa sem fim.

Neste Outono que levei a começar mais depressa passando a tapar-me à noite, o que faz ela? Vem imediatamente colocar-se, comigo, debaixo dos lençóis. Ali fica, cozida às minhas costas, até de manhã.

Passei a receber, por fim, as minhas doses triplas de afecto, que voltaram a incluir esta princesinha cinzenta, além do seu irmão tigrado e da minha luzidia pantera negra.

Agora descanso muito melhor, sem uma única interrupção do sono até à hora de acordar.

O que me faz feliz?

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O bem estar espiritual chega através das coisas que parecem irrelevantes.

Levanto-me cedo. Faço uma corrida de uma hora.

Dedico-me depois à caminhada matinal acelerada. 20 minutos de um terminal de comboios a outro, à beira rio, com o nascer do Sol no programa.

O pequeno-almoço à frente das águas, a ler as notícias da manhã. Café, em dose liberal, porque dentro de 24 horas é dia de folga, não há horários rígidos e a insónia não assusta.

A minha Amélinha, a “Gááta!!”, distribui umas arranhadelas a meio da noite, sempre ansiosa por dedicar-se ao disparate. Sacudo-a com o pé. Fica encostada, enroladinha, contra as minhas pernas, a ronronar até de manhã.

O mesmo fazem o Jeremias e a Matilde. O tigre caseiro que se porta como sombra do seu humano e a princezinha cinzenta, que se alimenta dos mimos e da atenção que lhe dedico.

Deita-se de lado, dá-me o corpinho, para lhe fazer festas no farto pêlo e lhe dar beijos na barriga redondinha.

Ao mesmo tempo a “Gááta!!” canta, dá gritinhos e mia. Rebola no chão, estica-se à minha frente.

Quer a mão, os dedos, a passearem-se pela sua silhueta negra e luzidia enquanto me observa com aqueles olhos verdes claros sempre cheios de curiosidade, amor e malandrice.

O que me faz feliz são os olhos deles.

O Chiquinho foi “O meu primeiro gato”, e hoje continua a visitar-me nos sonhos, conversando comigo, dando-me amor e pedindo-me miminhos, como fez ao longo de toda a sua vida.

Mas antes de o conhecer já existiam o Jeremias, o primeiro felino a querer travar amizade comigo, e a Matilde, que quando me conheceu veio para o meu colo, mostrando que eu “devia ser muito boa pessoa”.

Hoje fazem anos. Que venham muitos mais!