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O Homem de Pedra

Disse-lhe que ele era o Homem de Pedra: Que absolutamente nada mudava na expressão dele, nem um único traço em todo o rosto. Quer experimentasse a felicidade suprema ou o mais dilacerante sofrimento.

Isso só poderia significar que não sentia nada. Que não sabia o que eram as emoções. O bem estar ou a tristeza, o negrume ou a euforia.

Mas na verdade não era nada disso que se passava. O Homem de Pedra sentia, e não era ligeiro o seu sentir. Só que essas sensações ficavam apenas para ele.

À sua volta ninguém sabia o que lhe passava pelo espírito.

Preocupava-se com o andamento do Mundo? Exultava com uma boa notícia? Fartava-se da sua enxada e de andar sempre a desbravar a beira da estrada, um dia depois do outro, uma hora e a seguir outra? Observava com prazer as senhoras a passar, com os seus trajes de Verão e na ponta da trela os seus cães, de raça ou rafeiros?

Ninguém diria o que viam os seus olhos.

O Homem de Pedra ali estava sempre, levando à frente as ervas daninhas, limpando o solo com uma energia sem limites, agitando-se freneticamente, caracóis esvoaçando com o movimento do corpo, rosto imóvel e impenetrável.

No dia seguinte lá se encontraria, inalterável na sua rotina e na sua ausência de expressão. E no outro, e depois também. Acontecesse o que acontecesse.

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