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A minha gata não me deixa beber

Ao fim-de-semana gosto de me esticar no sofá com um pacote de batatas fritas onduladas, bem salgadas, e um pires de amendoins igualmente condimentados com o mesmo ingrediente.

Meia hora depois, chegaria inevitavelmente o momento de ir buscar uma cerveja estupidamente gelada à parte de trás do frigorífico e consumi-la em dois ou três goles.

Poucas coisas são tão deliciosas na vida como devorar um pacote de aperitivos salgadíssimos seguidos de uma bebida tão gelada como a calota polar, quando já estamos quase a entrar em choque de desidratação e secura labial.

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A questão é que, meia hora depois de me sentar, e mesmo que não tenha esticado as pernas sobre a mesinha da sala, a minha Matildinha já está totalmente acoplada a mim.

Ainda há dias, enquanto via dois filmes de Hitchcock de enfiada, a minha princesa cinzenta esteve várias horas abraçada a mim, feliz, tranquila e protegida.

De vez em quando olhava para a sua “prima”, Amélinha, a “Gááta!!”, com uma expressão meiga, doce e absolutamente inocente, enquanto trocavam umas cheiradelas e umas lambidelas profundamente amistosas.

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Felizmente, a “Gááta!!”, que tem tanto de carinhosa como de demoníaca, não estava virada para atacá-la sem piedade numa fracção de segundo e expulsá-la de imediato do sofá.

No muito pequeno écrã, uma família americana viajava por Marrocos e tornava-se vítima dos efeitos secundários de uma terrível conspiração internacional para assassinar um primeiro-ministro, enquanto desfrutavam das maravilhosas ruas do mercado de Marraquexe.

Horas depois, um horrível assassino londrino degolava mulheres em série com a sua gravata e encontrava a forma perfeita (ou quase) de incriminar um azarado completamente inocente e não ter que pagar pelos seus actos.

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Enquanto tudo isso acontecia, a minha Matildinha continuava encostadinha e agarradinha a mim, perfeitamente indiferente ao Mundo e à realidade.

A tal cerveja acabou por ficar no frigorífico. No fundo, a minha menina está preocupada com a minha saúde. Acha que os salgados em si já são mais que suficientes.

Não é preciso complementá-los com uma dose de vinte e cinco centilitros do cobiçado líquido, a temperaduras aterradoramente baixas.

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