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“Eu quero ser tratada!!”

A medicina veterinária é uma coisa complicada e cara, embora não me possa queixar. O Jeremias e a Matilde, como vivem em “custódia (amistosa e informalmente) partilhada”, são integralmente subsidiados à distância, a partir de Terras de Sua Majestade.

O que não quer dizer que não haja complicações e imprevistos. 60 por cento da população cá de casa sofre de insuficiência renal. Esses três habitantes ingerem diariamente uma meia dúzia de cápsulas de Lesperim 100, o principal agente de controlo e suavização desta doença sem cura.

O problema é que o Lesperim 100 está esgotado há meses. Só há Lesperim 50. O qual, magnífica e genialmente, fica bastante mais caro que o Lesperim 100. Devia custar metade, mas é bem mais que isso.

Por outro lado, como tem 50% da substância, é necessário dar-lhes o dobro. Para o Jeremias e a Matilde são quatro de cada vez. Para a Amélinha, isto é, a “Gááta!!”, são dois.

Estes Lesperins 50 são muito mais pequenininos do que os seus primos Lesperim 100.

São umas rodinhas minúsculas que nem cobrem metade da unha do dedo mindinho. Em vez de virem num frasco cilíndrico de plástico vendem-se numa caixinha elíptica com uma tampa que estala, como aquelas em que compramos os Mentos Pure Fresh.

Toda a gente sabe que a “Gááta!!” adora plásticos, caixas, metais, comprimidos, fitas e tudo o que faça barulho e estale.

É também sabido que, para medicar os meus outros gatos, tenho que andar a correr atrás deles. Com a “Gááta!!”, basta pôr-lhe os fármacos à frente, na palma da minha mão, observá-la enquanto os devora e tritura com sofreguidão, e esperar que não ataque, também, a medicação dos outros.

Mas agora atingimos um novo nível. Comprimidos apetitosos, redondinhos, pequeninos, a agitar-se ruidosamente como chicletes duras numa caixa de plástico que dá um estalido metálico:

A “Gááta” anda delirante e extática. De manhã e à noite, à hora da medicação, mia, ronrona, pula, corre de alegria e felicidade. Nunca pensou que os tratamentos pudessem ser uma coisa tão divertida. Se pudesse tomar quatro ou oito em vez de dois, fá-lo-ia sem hesitações.

Difícil mesmo é tratar os seus companheiros felinos, bastante menos entusiásticos relativamente a este tema, com esta alminha inquieta ali aos saltos à nossa volta, a querer tomar para si toda a medicação envolvida nos cuidados deste pequeno gatil de quatro que aqui vive.

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