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Naquele dia comeu cem ostras

Há muitos, muitos anos, estava ele com uns amigos na praia, num país sul-americano. Estavam dois casais com ele, que, na altura, estava solteiro.

Chega um homem a vender ostras. Os amigos não quiseram. Ele queria. Perguntou o preço, e percebeu que era praticamente de graça.

Perguntou ao vendedor se tinha um limão. Fazia sempre isto: Colocava umas gotas de limão sobre a ostra. Se esta se encolhesse ainda estava boa. Se ficasse sem reacção já não estava em condições.

Fez o teste e percebeu que as ostras quase grátis eram boas. Combinou com o vendedor o seguinte:

Vou comer uma dúzia de cada vez. Contamos as cascas, e vou colocando aqui de parte uma casca por cada dúzia que comer.

U. foi comendo até ficar satisfeito. Foram contar as cascas-dúzias… Eram oito. Oito dúzias. 96 ostras. Volta a falar com o vendedor:

Bom, vou comer só mais quatro, para fazer as cem.

Naquele dia comeu cem ostras.

Hoje, enquanto falo com ele, come a mistura adocicada de iogurte e bolachas que lhe servem diariamente, ao lanche, na instituição de saúde onde está involuntariamente internado.

Pergunta-me que novidades há esta semana da França, da Coreia e da América. Digo-lhe que não muitas, os últimos dias foram mais calmos.

Falamos sobre as eleições autárquicas e a candidata do Pessoas Animais Natureza, que apoio convictamente. Pergunta-me se já houve alguma primeira-ministra portuguesa e falo-lhe de Maria de Lourdes Pintasilgo.

Como não é português e vive no nosso país há poucos anos, sabe mais de política internacional do que da nacional. A sua habitual companheira do lado, que já trato pelo nome, mete-se connosco, participa nas nossas conversas e ri-se.

U. diz-me para me apressar o mais possível com os meus projectos pessoais e não perder tempo. E insiste para que faça um chá quente quando chegar a casa, para curar a constipação. “Boa tarde e até breve, meu amigo!”.

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