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O homem-discoteca

É o homem-discoteca. Tem uma colher de sobremesa, um pedaço de plástico, uma guitarra que usa como tambor e a própria voz. Está de cócoras sobre o chão e não pára de saltar.

Vai produzindo sons estranhos e ritmados, com os seus instrumentos inesperados, e grava cada um deles, que combina rapidamente no seu sampler portátil, um pequeno aparelho que permite captá-los e misturá-los.

Todas as partes da guitarra servem: As cordas, as suas pontas soltas, o braço, a caixa de ressonância. Regista e cozinha todos esses sons, sempre dançando de cócoras, animado e afável.

No período de tempo que costuma durar uma faixa de um álbum, vai criando ali, à nossa frente, uma nova música, que se torna mais complexa com o passar dos minutos, e que podia passar facilmente em qualquer discoteca da moda. Ao lado um cão grande, preto e bonito assiste a tudo absolutamente impassível.

O homem-discoteca vai interagindo com o público. Há um menino de dois ou três anos que acha aquilo tudo extremamente curioso e quer ver e mexer. O rapaz amável não se preocupa nada, sorri para a mãe e o filho.

Assistimos a um pequeno concerto de música de dança, criado e inventado na hora perante os nossos olhos. São muitos os artistas que actuam nesta zona, mas este prende a atenção, por ser completamente diferente. É um rapaz dos seus 20 e tal anos, com ar de quem já anda nesta vida há algum tempo e não tem quaisquer problemas com isso.

Mas neste dia tivemos azar. Há nuvens no céu e parece que vai começar a chover a qualquer momento. Por causa disso o músico acaba por, num inglês perfeito e sociável, pedir desculpa à sua audiência e explicar que está na altura de recolher, evitando assim um banho forçado proveniente dos céus.

Os espectadores ficam com pena de não assistir mais um bocadinho a esta arte improvisada.

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