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Um prédio fantasma e eu fechado de fora

Ofereceram-me um vale que dá para ir às compras até ao fim do ano e ainda sobra para as primeiras de 2017. Fui ao Continente do Colombo tentar usá-lo, numa tarde de fins de Novembro, ao fim-de-semana e com chuva. Felizmente também era dia de jogo do Benfica.

Comprei areia de gato, água de Monchique para os meus filhotes felinos, comida para mim e outros tantos bens igualmente necessários.

Tenho dois hábitos que, isolados, até fazem bastante sentido. Quando ando de carro, deixo momentaneamente as chaves de casa no automóvel, para não ter tantas no bolso das calças. Deixo o comando da garagem junto do banco do condutor, porque, se andar com ele junto com as chaves, está sempre a cair e estraga-se…

Chego a casa, com as oito areias, oito garrafões de cinco litros e a mesma quantidade de sacos a abarrotar de compras. Carrego aquilo tudo no elevador, encho-o totalmente. No meu andar, descarrego o elevador e deixo uns quantos metros de chão em frente a ele pejado de sacos e objectos.

Levo a mão ao bolso, para tirar a chave e abrir a porta… Não, ficou no carro, junto com a chave do elevador que leva à garagem e o comando do portão. Toco à campainha dos meus cinco vizinhos, com insistência obsessiva. Nem uma única reacção.

Sábado, oito da noite, ninguém no prédio. Nem novos, nem velhos, nem pais, nem filhos, nem netos, nem avós. Nada. O meu amigo e senhorio, companheiro infalível e infinitamente paciente, está a cozinhar um jantar familiar de fim-de-semana, e, para já, não pode vir salvar-me.

Continuo a tocar às campainhas e a esperar, como um leão acossado. Algumas dezenas de minutos nisto… Nem vizinhos, nem garagem, nem qualquer solução à vista.

Às tantas, passa na rua a simpática e comunicativa senhora que faz a limpeza do prédio, e que, obviamente, me conhece. Não tinha trocado de bolsa nesse dia de manhã. Ainda estava com a mala que usa durante a semana. Com as chaves de todos os prédios que limpa, as das garagens incluídas. No que parecia uma noite infernal, afinal tudo está bem quando acaba bem!

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