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Amanhã

Foi uma sensação estranha, regressar àquele lugar, seis meses depois. O director convidou-me para o almoço de despedida, e a estas coisas nunca se diz que não!

Era uma boa oportunidade para rever os meus colegas. Estive em boa parte dos departamentos, especialmente aqueles em que ainda conhecia várias pessoas.

Primeiro que tudo, uma boa e produtiva conversa, logo na recepção do edifício, com comentários sobre todas e mais algumas das recentes transformações ali dentro. O que se repetiu, horas depois, na altura de dar por definitivamente encerrada a visita.

Depois, comecei pelo armazém, onde antes se encontrava o gatinho abandonado Dostoievsky, que nos últimos meses foi levado para a associação Rafeiros SOS, e, mais tarde, para o Café Aqui Há Gato, em busca de um futuro dono carinhoso e responsável. Apenas encontrei a roliça, simpática e afectuosa empregada de limpeza, que quis saber tudo sobre a minha vida nos últimos meses e fez as suas queixas sobre as incertezas do dia-a-dia. Mas terminou o diálogo emotivo com convictas demonstrações de crença religiosa, e de que tudo vai ficar bem para todos.

Passei então ao arquivo, onde, há meio ano, nem cheguei a despedir-me de algumas das minhas pessoas preferidas. Encontrei alguém que está agora a passar pelo mesmo. Também foi abrangida pela reestruturação. Mostrou ter fé e confiança no futuro, embora ainda estivesse naquela fase de se habituar à ideia do fim de uma rotina quotidiana que durou tantos anos, e à separação dos colegas-amigos.

Encontrei nos corredores a responsável por um departamento que ia ser extinto. Tanto ela como a colega pareciam aliviadas, animadas e optimistas, depois de várias décadas de stress e sacrifício pela empresa.

Passeei pelas salas onde tinha mais amigos, acolhido com o carinho e o companheirismo de sempre. Aqui e ali a incredulidade, com alterações de chefia pelas quais ninguém esperava.

Este processo demorou algumas horas, antecedendo o esperado almoço. O restaurante foi bem escolhido. Além de ter sumo e sangria à discrição, o que não faltava eram legumes, vegetais, leguminosas. Aparentemente, foi possível compôr um prato cem por cento vegetariano e saudável… E repetir!

O aguardado repasto serviu para pôr as notícias em dia com os colegas, amigos, chefias, todos os que estiveram presentes.

Seis meses depois, o que mudou? A empresa continua a esforçar-se para dar a volta e rumar a bom porto. Mais reestruturações, cortes, mudanças, saídas.

E eu? À procura de trabalho fixo e estável, colaboro diariamente com a Animalife, usando a escrita para lutar contra o abandono de animais de estimação. Na Comunidade Vida e Paz, apoio as pessoas sem abrigo de Lisboa. Aqui onde me lêem, deposito os meus desabafos sobre o mundo, a realidade e a existência. E ainda sobra tempo para outras tantas actividades. O que vai acontecer amanhã? Não sei. Mas, no fundo, há alguém que saiba?

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