os tigres que lutam

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Os tigres que lutam

Contemplei-o na montra de uma loja de roupa, num centro comercial, e fiquei fascinado. Perguntei o preço e levei-o. Há quase dez anos não ganhava mal, e não tinha grandes obrigações.

Um dia fui com ele para as aulas, e li no olhar dos meus alunos: “Han? Que Diabo? Este stor vem com um blusão destes para as aulas?!”.

Um antiga namorada dizia-me, divertida: “É preciso ser um grande maluco para andar com um blusão desses!”.

A rapariga com quem casei e vivi durante vários anos, e que revolucionou, na altura, a minha vida e também o meu guarda-roupa, nunca se pronunciou. Ou reconheceu que era um objecto de qualidade e valor, ou achou que, dada a minha estima por ele, não valia a pena dizer muita coisa sobre este artigo.

Há uns tempos, um arrumador de carros olhou para ele com admiração e respeito, após encontrar solícita e entusiasticamente um lugar para o meu: “Gosto muito disso, dos ‘fáiting tiguérrs’! Gosto muito”.

Nas noites de apoio às pessoas sem abrigo de Lisboa também faz grande sucesso, entre os homens que apoiamos e os voluntários.

Sempre tive a pancada dos blusões de cabedal negro, desde que comecei a trabalhar e a ganhar dinheiro, e até aos dias de hoje.

Doei uma boa parte da quantidade obssessiva de casacos que tinha, incluindo os de cabedal, negro ou castanho. Mas não esta veste de motoqueiro, de marca (nunca compro roupas de marca), com uma cobertura de pano nas costas retratando um feroz “tigre” lutador de artes marciais.

Anda comigo durante boa parte do ano, a partir da altura em que a insistência na T-Shirt sem nada por cima começa a implicar despesas em comprimidos anti-gripais. Embora continue a ter vários casacos e blusões de Inverno e Outono, a maioria de cabedal, quase só uso este.

Ontem, apanhei um susto. Fazia a revisão anual das roupas que tenho ou que não tenho para a próxima estação, e não encontrava os Fighting Tigers, com os seus botões de mola e fechos a encerrar as mangas. Quando uma coisa não está em parte nenhuma da casa, pode ser que esteja no carro…

Lá estava, debaixo do banco do passageiro, onde passa parte do ano, como plano de contingência, caso faça tanto frio que o justifique. Devia estar lá mais ou menos desde Março: Devo ter começado a andar de T-Shirt por volta dessa altura. Que alívio!

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