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Vivo com quatro gatos

Quando o despertador toca escuto os miados da minha princesa Matilde, que me ama incondicionalmente – e sem medos nem reservas, desde que a operação dela e a minha protecção constante decuplicaram o seu amor.

Oiço no escuro o Chiquinho, o meu reizinho negro, a miar e a esfregar os pêlos no tapete. A Amélinha, aliás, a “Gááta!!”, ronrona suavemente e dispara uns miaus carinhosos e amorosos quando detecta os meus primeiros movimentos.

Sento-me na casa de banho e Jeremias, O Gato Sexual, atira-se para o chão, rebola, solicita que o massaje com o pé descalço e ali fica, a ronronar e a miar.

Rumo à cozinha, o Chiquinho terá que ficar pelo caminho. É o único que não precisa de fazer tratamentos para insuficiência renal, nem comer alimentação húmida para os rins. De qualquer maneira, está demasiado redondinho para fazê-lo!

A Minha Doutora já me disse, repetidamente, que todos, excepto a “Gáta!”, têm obrigatoriamente que perder peso, o que está difícil. Encho os pratinhos de ração de manhã, e depois não há mais nada. Mesmo assim, continuam gordinhos.

O Chiquinho passa parte do tempo a protestar e a ralhar comigo, daquela forma carinhosa, apelativa e amorosa que só ele consegue usar. Vai miar para junto do prato, muito persuasiva e gentilmente. Às vezes, mesmo quando o prato já está cheio. Sente-se indignado com tão pouco alimento. Faz-me lembrar os homens deportados para os campos de trabalho soviéticos da Sibéria.

Se for à rua ou à sala durante cinco minutos, quando regresso, Jeremias, o meu gato-cão, desata a miar para mim, a queixar-se e a exigir atenção. Sempre que passo pela Gáta, ela fica tão feliz que se encaracola toda e solta os seus gritinhos apaixonados, exigindo colo imediatamente, para poder esfregar-se na minha T-Shirt, nos meus sovacos, enrolar-se, desenrolar-se e ronronar de felicidade.

A minha princesa Matilde fica igualmente feliz quando me aproximo. Esfrega-me a cabecinha na barriga, e dá-me a dela, pedindo miminhos. Quando escrevo no computador, na sala, a minha pequena “matilha”, gataria ou ajuntamento de gatos acompanha-me com enorme alegria e felicidade.

A Gáta, a minha “bebé”, fica na cadeira do lado esquerdo, prestando-me assistência, o dia todo. Ou então permanece encostadinha à parte de trás do computador, tranquila, imensamente feliz, calma, serena.

Se eu me mexo um pouco, ou ao computador, ela estica a patinha, preguiçosa, lânguida e voluptuosamente. “Olá, dono. Não sei se sabes, mas gosto MUITO de ti, e estou a precisar desesperadamente de mais festinhas, miminhos, beijinhos e colinho. O que pensas fazer em relação a isso?!”.

Vivo com quatro gatos.

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  1. Muito engraçado. Acho que muitos de nós, donos de gatos amorosos revêmo-nos um pouco neste doce e divertido relato. Beijinhos Helena