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O Destino de Dostoievsky

A placa indica o destino, em letras bem visíveis, que deixam ler claramente “Café Aqui Há Gato”. Foi por isto que as pernas caminharam durante mais de uma hora, debaixo de 30 e muitos graus, às três da tarde, cobertas pelos calções pretos de corrida, debaixo da T-Shirt cor de laranja fluorescente, a acompanhar os Asics Negros das sessões de jogging matinal. Aliviado e desidratado, entro por ali adentro e dirijo-me à parte que me interessa.

Já lá dentro, sou parado mais ou menos a tempo pela simpática e agradável moça que me explica ser necessário efectuar um registo na caixa, antes de entrar naquela parte do café. Tenho à escolha qualquer bebida ou doce, menos cerveja, infelizmente. Decido-me pelo mais parecido, uma 7-Up a saltitar de semi-congelada e refrescante. Agora já posso voltar para lá, para o outro lado.

Dostoievsky está demasiado ocupado, a ser o elemento mais sociável e divertido do Café Aqui Há Gato, na Calçada da Estrela, em Lisboa, perto da Assembleia da República. Esta é uma nova etapa do Destino de Dostoievsky. Começou por ser abandonado à porta da Impala, o grupo editorial que pôs comida na minha mesa durante 12 anos. Ficou, depois, entregue às mãos delicadas e carinhosas da Rafeiros SOS, que o deixou em impecáveis condições de higiene, saúde e bem estar.

Agora, Dostoievsky está no Café Aqui Há Gato, na companhia de vários outros felinos sem dono, das gentis e sensíveis raparigas que trabalham no local e dos clientes animados, divertidos e curiosos que ali vão beber um copo, comer um bolo, conhecer um gatito… O objectivo nobre, altruísta e necessário é que, com o tempo, todos os doces e meigos felinos que se encontram no café venham a ser adoptados por famílias amorosas e conscientes, que os mereçam e saibam assegurar a sua felicidade e bem-estar.

Ao receber, feliz e bem disposto, as mordidelas meigas e patadinhas amistosas de Dostoievsky, penso nisso mesmo. Que todos os seus novos amigos de quatro patas, e Dostoievsky, tenham um destino tão grandioso como aquele que lhe deu o nome. Que sejam felizes. Acredito que isso vai acontecer, Dostoievsky. Meu doce Dostoievsky…

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