defensor oprimidos

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“Não tem nada a ver com isto! Vá-se…”

A mulher, que já foi homem, está ofendida e magoada com a violência verbal que se sente nas palavras do seu irritado interlocutor. Ele continua a atacá-la com frases iradas. Um homem de camisa de manga curta, alto, barrigudo, com aspecto informal mas cuidado, mete-se no meio da discussão. Diz-lhe para deixar a mulher em paz. Ele não reage nada bem.

Ao princípio nem se percebe grande coisa do que diz, apenas o estado de espírito agressivo. Mas não gostou que viesse alguém de fora intervir. Um terceiro participante vem explicar ao defensor da mulher que ele não tem que falar, porque não tem nada a ver com o assunto.

O tipo da camisa continua a defender a vítima da agressividade expressa em frases, mas fá-lo com grande calma e tranquilidade. Talvez trabalhe ali perto, ou talvez não… Nem mexe os braços, ou as mãos, apenas os lábios, a língua e os olhos, ao contrário dos seus dois adversários.

Não o perturba, de todo, o diálogo bastante intenso mas muito educado (da parte dele) com dois homens que vivem na rua, olham a realidade com algum exagero e radicalismo, e, no caso de um deles, um condimento alcoólico visível naquele momento.

Passa um quarto interveniente, que trabalha ali, e manda o que está sóbrio, de rabo de cavalo, baixar o tom de voz e acalmar-se. Minutos depois, aquele que iniciara toda a situação ganha novo fôlego e o seu discurso torna-se mais perceptível. Vira-se para o homem civilizado e paciente de camisa de manga curta e diz-lhe: “Vai para o C.!”.

O visado mantém a mesma pose, não perde a calma, continua sempre a falar e a responder, até os dois irritados desistirem e lhe virarem costas.

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