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Salvou-os. E dará a vida por eles

Transexual, toxicodependente, mulher sem abrigo, T. tem três amigos na vida. Chamam-se Pipo, Petra e Franjinhas. A pastora-alemã e os dois rafeirinhos davam a vida por ela. Ela saiu de casa para poder continuar com eles, e ainda não iniciou o tratamento contra a toxicodependência porque só o fará quando souber que eles estão alojados, seguros e tranquilos durante todo o processo de terapia, de um ano.

Foi despejada quando o seu senhorio deixou de aceitar animais, e, com os três cães, não conseguiu ser aceite em mais nenhum lugar, fosse ele casa, quarto ou abrigo para pessoas que vivem na rua. Rita Dias, professora, voluntária da paróquia de Oeiras-Caxias, conheceu em Janeiro este ser humano que nasceu como homem mas sempre se sentiu mulher.

Espantou-a ver uma pessoa em absoluto processo de decadência, com três cães lindos, limpos, de pêlo brilhante, impecavelmente tratados. Disse-lhe que iria fazer tudo para encontrar um lugar para os três animais (aos quais a Animalife assegurará ração e apoio veterinário durante todo o tratamento, como já faz atualmente) durante os 12 meses de internamento.

Desde Janeiro que esta voluntária, dedicada a causas sociais quando não está a dar aulas de História, passa os dias ao telefone com incontáveis instituições oficiais ou privadas do país. Para acelerar o internamento da T.: Segundo os psicólogos e médicos que a avaliaram, está em risco de vida iminente.  E para encontrar uma solução para os três amigos incondicionais desta mulher, condição sem a qual ela não se tratará.

Disposta a morrer

T. está disposta a morrer se ninguém encontrar uma solução para o problema dos seus animais de muita estimação. O que se tem revelado impossível, porque as associações, os canis e a Casa dos Animais estão sobrelotados, e o recente surto de esgana veio tornar tudo muito mais difícil.

Graças aos intensos esforços burocráticos e à persuasão de Rita, T. já fez todos os exames, foi à entrevista, conseguiu ser aprovada e admitida para iniciar o tratamento. Uma semana de desabituação na unidade de tratamento do Centro das Taipas (no Hospital Júlio de Matos) e um ano de terapêutica e reinserção, na comunidade da associação Erguer, em Palmela.

Pode ser chamada a qualquer momento para iniciar o tratamento, que deverá começar, no máximo, no final de Julho… Mas só aceitará se, até lá, os seus três melhores amigos já tiverem um lar adequado e seguro.

O preconceito e discriminação de que é alvo generalizadamente (incluindo da parte de agentes da autoridade e até mesmo de pessoas envolvidas em acções de solidariedade), a preocupação com a sua situação e a de Pipo, Petra e Franjinhas levaram a que tentasse, há duas semanas, suicidar-se.

Tentaram matá-los

Por duas vezes, alguém meteu vidro na ração dos seus patudos, para fazer mal a esta família canina e humana. Ela detectou a tempo. Os seus companheiros estão vacinados, desparasitados, registados, chipados, não lhes faltam quaisquer cuidados veterinários: Não se importa de não comer para assegurá-los.

A ligação que os três têm com T. é “impressionante”, nas palavras da professora-voluntária. A dona tem medo que, com a separação, morram de saudades…

Rita garante que o tratamento só terá hipóteses de sucesso se T. souber que os três estão bem. A relação é umbilical. Conheceu Petra, bebé, ferida, atirada para dentro de um vidrão para morrer. Salvou-a, acolheu-a, comprometeu-se a protegê-la para sempre. Petra decidiu que faria o mesmo por ela.

Além dos seus três cães, T. ainda dá comida e água a outros dois, que têm o azar de lhes ter calhado um dono que os maltrata, e vivem perto do sítio onde ela dorme. Anda sempre com um garrafão de água, para hidratar estes cinco amigos e os que aparecerem.

Quando está a ressacar, desesperada e cheia de dores, não vai comprar droga. Primeiro, desloca-se ao Pingo Doce para ir buscar ração.

Este ser humano invulgar pode morrer. Procuremos uma forma de salvar estas quatro vidas. Se tiver alguma sugestão de solução ou se puder ser família de acolhimento temporário, contacte o e-mail Geral@Animalife.pt.

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