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Mudar de vida

A rapariga dos caracóis dourados senta-se ao lado e diz que gosta de conversar com ele. O homem está preocupado com este excesso de feriados. Acha que prejudicam a produtividade dos portugueses. Na sua opinião, em matéria de feriados, bastava que existisse o Natal, o 25 de Dezembro, a data da celebração do nascimento de Cristo.

O homem sábio que vive num quadrado de chão e se considera feliz quer saber novidades das eleições. As da América. Hillary Clinton venceu, e ele gosta da notícia. Relembramos que ainda são só as Primárias, e que, mais tarde, vai enfrentar Donald Trump.

A rapariga dos caracóis dourados está sentada ao lado dele, e conversa animadamente, mas nota-se que não está satisfeita. Queria ajudá-lo mais, transmitir-lhe mais alegria…

Só nos deixa apoiá-lo até um certo ponto. Só uma sandes de vez em quando, apenas alguns quartos de hora de conversa. Nada mais.

Chega o telefonema aguardado. Há um grupo de colegas que não ficaram tão desfalcados de comida como nós, podemos ir reabastecer-nos com eles, para, depois, a distribuirmos a outras pessoas.

A noite começara com um diálogo profundo com outro homem, uma troca de impressões sobre a natureza dos líquidos e a sua relação com a poesia. Um debate produtivo, ainda que inconclusivo.

Horas depois, a jornada nocturna acaba melhor do que parecia. Afinal, não só a conversa e o ombro amigo que se oferecem chegam para todos. Até a comida acaba por ser suficiente para toda a gente, e ainda sobra uma dose individual.

Amanhã, a Comunidade Vida e Paz está outra vez na rua. Com uma sandes, dois dedos de conversa, um aconchego espiritual. E um caminho para mudar de vida.

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