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A minha tia é que criou a Floribella!

Olhos azuis, cabelos loiros, brincos cor-de-rosa, batom e fitas da mesma cor nas tranças, bem como a blusa. Blusão de ganga azul, saia branca com flores vermelhas e azuis bem vistosas. Meias cor-de-rosa, sapatos azuis. Como se pode ver bem na foto, foi a minha tia é que criou a Floribella, há cerca de uma década, e com muito orgulho.

 

Hoje em dia, ela tem a filha, os netos, a gata que é “oficialmente dela”, os felinos que alimenta voluntariamente e os vários outros patudos, pássaros e aves que vão, também, comer lá a casa. Os bichos são os únicos que estão perto dela, ao contrário da família.

 

Há coisa de dez anos, tinha o marido, o meu tio, conhecido como o Augusto Francês, devido ao seu passado imigrante. E a alegre e intensamente alimentada matilha de cães de raça pequena, que comiam até parecerem animais de grande porte. Apesar de providenciar uma existência principesca aos inquilinos caninos e ao meu tio, ainda conseguia que lhe sobrasse tempo.

 

Na mesma altura em que Luciana Abreu se tornou conhecida como a bela, infantil e cobiçada actriz-cantora-personagem Floribella, a minha tia pôs os seus dotes artístiscos à prova e fez esta autêntica obra de arte em pano, que nada fica a dever à Floribella original.

 

Hoje, as únicas pessoas com quem a minha tia conta para visitá-la regularmente, ouvi-la, mimá-la e acarinhá-la são a minha mãe e o meu pai. Gosto de participar nessas actividades familares de vez em quando, ajudando a compor o ouvido amigo e o ombro aconchegante. E pensando nos suculentos petiscos, almoços, lanches, bolos, doces, sobremesas, queijos e vinhos franceses que os meus tios nos proporcionavam em abundância na juventude. Desta vez só tive pena de uma coisa. A Bolinhas, a gata oficial da minha tia, não apareceu.

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