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Fizemos frente a um elefante zangado

O dia começou mal para o George. Ia ele a conduzir a sua robusta e atlética Toyota Hiace pelas crateras e buracos da reserva queniana, atulhada de turistas ávidos por conhecer a verdadeira vida selvagem… Às tantas, o consistente veículo ficou preso numa das muitas poças de lama que galgava velozmente pela manhã. A marcha atrás não entrava de maneira nenhuma.

 

O problema foi quando surgiu um elefante fêmea, uma matriarca protectora e territorial, que, muito legitimamente, não gostou de ver o seu lar invadido por estranhos pela enésima vez. Normalmente, o grupo de visitantes sairia dali rapidamente e seguiria o seu caminho. Mas não foi isso que aconteceu.

 

Com o meu grupo de australianos educados e humorados, mas cujo chefe de família demorou uma semana a dirigir-me uma palavra mais calorosa, seguíamos na nossa Toyota, conduzida pelo enorme e destemido Charles Opany. O nosso guia viu o perigo em que se encontravam os outros viajantes. Não havia tempo para pensar muito nem chamar ajuda. A ajuda estava ali e éramos nós, quiséssemos ou não.

 

O queniano divertido e empreendedor começou a conduzir a carrinha, connosco lá dentro, em direcção ao elefante. O plano era simples e ousado. Ir com a viatura para perto do animal zangado e assustado, ir avançando e recuando, distrair o paquiderme enquanto o George tentava engatar a marcha atrás.

 

Estivemos nisto durante algum tempo, o período adequado  para apenas pensarmos que aquela era uma aventura inesperada e desafiante, não propriamente um risco vital. Com o passar dos minutos, que ninguém sabe quantos foram, George conseguiu finalmente meter a sua carrinha em movimento e fugir. Depois foi a nossa vez de nos pormos ao fresco, o que não era muito fácil, com aquelas temperaturas elevadas.

 

Escapámos todos absolutamente ilesos, nós e os da outra carrinha. Horas depois, no acampamento, conversámos e dialogámos sobre a nossa experiência. Os asiáticos da outra Hiace, jovens estudantes a fazer uma volta ao Mundo, classificaram o momento como mais uma diversão, admitiram algum susto, mas ninguém se desencorajou ou quis desistir a meio da semana de safari para observação e conhecimento da verdadeira vida selvagem…

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