A importância da lealdade

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A campainha toca suavemente, só uma vez.  Não olho com muita atenção e abro.

É um casal. Um homem de meia idade, mulato, óculos, caracóis grisalhos, vestido com ligeira formalidade. Uma rapariga mais nova, ar pós-universitário, saia e camisa, óculos, cabelo comprido e escuro, rabo de cavalo.

Antes de começarem a falar, aparece o Jeremias. O meu pequeno lince, o meu gato-cão, quer meter-se imediatamente com as visitas. Deseja festinhas, atenção, rebola-se em cima do tapete, à frente da rapariga, dá-lhe a barriga em busca de mimo.

O homem alto e simpático não sabia que os gatos eram assim. Achava-os, “normalmente, furtivos”. A rapariga esclarece que a dela só tem estes comportamentos com os donos.

 

A resposta às perguntas

 

Enquanto surge a Matilde, que explico também ser sociável mas menos descarada, e a Amélinha (aliás, a “Gáta!”), surpreendentemente, permanece sentada lá ao fundo, sem se esconder em cima do armário da cozinha, o casal gentil e bem disposto explica o propósito da sua visita.

Vêm convidar-me para um evento. Trata-se de um acontecimento especial, de entrada livre.

Constato que ao orar, David, rei de Israel, disse a Deus: “Com alguém leal agirás com lealdade”. Percebo que esse facto religioso suscita várias perguntas: “Porque é que Deus espera que sejamos leais?; Como é que sermos leais melhora a nossa vida?; Como é que Deus agirá lealmente connosco?”.

Fico a saber que um evento público, de acesso gratuito, vai responder a estas perguntas. E que eu estou convidado.

A abordagem evangelizadora dos homens e mulheres que propagam a fé das Testemunhas de Jeová parece-me mais eficaz e tranquila do que na minha juventude.

As pessoas são pessoas, seja qual for a sua crença. Quando mostram simpatia pelos animais, ou as crianças, ou os idosos, ou os desfavorecidos, sobem logo dez pontos na consideração… E, finalmente, o almoço está pronto!

O terceiro pilar

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“Portugal, C.!!!!!!!!”: Foi um SMS deste género que a minha tia recebeu, graças a um excesso de entusiasmo e boa disposição da minha parte, após um jogo ganho pela selecção portuguesa, depois de muito sofrimento. Numa manhã de Domingo, horas depois, recebia a resposta: “Não tem mal nenhum, mas estavas muito eufórico!”.

O disparate foi aceite com bom humor, e foi sempre assim, ao longo das décadas. É certo que, durante a nossa vida, fomos abençoados com uma mãe que vale por duas e um pai de igual calibre. Mesmo assim, ainda tivemos direito a uma segunda mãe: A minha tia.

Lembro-me das anedotas, das histórias, das gargalhadas, da boa disposição, do carinho e da ternura da minha tia-mãe. Volta e meia, manda-me um SMS a recordar-me da sua presença protectora e a dizer que me adora muito.

Viveu duramente, com mais do que um emprego, a melhorar a existência dos seus doentes, o ambiente dos sítios onde exercia a profissão e a assegurar que nunca faltava absolutamente nada aos filhos. Ainda apoiava e ajudava os meus pais, a mim e à minha irmã, sempre que fosse necessário… Ou que ela achasse que era oportuno.

Já não trabalha oficialmente, mas tem, a tempo inteiro, a ocupação de ser avó de uns quantos netos, que crescem sob a sua asa carinhosa.

Os miúdos devem divertir-se tanto como eu, a minha irmã e os meus dois primos fazíamos há umas três décadas e picos. Quando dávamos cabo de uns quantos baldes de pipocas, e mais outras tantas caixas de Ferrero Rocher, durante uma tarde, enquanto os meus pais e os meus tios punham em dia a conversa de algumas semanas ou meses.

Os dias da minha tia, o terceiro pilar da minha vida, deviam ser um bocado mais descansados agora… Mas ela nunca soube como fazer isso!

“A emoção de ter o nosso amigo a olhar para nós”

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“É gratificante ter o (labrador) Sebastião ao lado durante o dia, a confraternizar com as pessoas e os outros patudos! O ambiente é mais descontraído, permite uma pausa para um período de passeio e traz a emoção de ter o nosso amigo a olhar para nós!”, ouvimos da boca de António Mancelos Gomes, um dos participantes, e também um dos responsáveis, da Pet Week, que começa esta segunda-feira, 27, e termina dia 1 de Julho. É uma ideia original, que permite que os funcionários levem os seus cães para o local de trabalho durante vários dias.

Já vai na oitava edição, e, para já, acontece na sede da Nestlé, em Linda-a-Velha. Mas parece ser uma ideia que outras empresas também podiam imitar… E não se limita à possibilidade de os trabalhadores estarem acompanhados do seu amiguinho de quatro patas durante o dia.

O lema é: “Os Animais e as pessoas estão melhor juntos”. E inclui atividades de sensibilização sobre a responsabilidade de ter um Animal de Companhia… Ou, por exemplo, uma Cãominhada Solidária (por cada inscrição, a marca Purina oferece um quilo de alimentos à Liga Portuguesa dos Direitos do Animal – LPDA) e um Pet Challenge, um desafio para o amigo peludo e o seu humano.

Há um dia para a Adoção de Animais de Companhia, com a participação da LPDA, da Missão Patas Felizes e do Núcleo de Apoio a Animais Abandonados de Sintra. Banhos, tosquias e avaliação médica são outras propostas desta semana diferente e especial. É ou não é interessante?

“Por enquanto ainda não sou gato”

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Recebe-nos com a simpatia e a euforia verbal de sempre. Está a ouvir jazz. Segue-se uma fascinante dissertação sobre a música clássica e a botânica, que toma como ponto de partida o pequeno e sonante rádio de pilhas, de onde saem notas apelativas e vistosas de Miles Davis, e a árvore que se ergue à frente da garagem. Conseguimos acompanhá-lo até ao terceiro tronco do pinheiro, que, de facto, vemos, e a partir daí perdemo-nos.

Voltamos a encontrar-nos no raciocínio, quando nos anuncia que, dia 2 de Agosto, faz anos. E que estamos convidados para uma ginginha nesse dia. Depois da entrega do saco de comida, do iogurte e de três ou quatro dedos de conversa, o encontro conclui-se de forma original.

Aparece um homem de aspecto asiático, talvez um empregado de uma das lojas indianas ou paquistanesas ou bengalis da zona, e oferece-lhe uma cerveja. Este acto de solidariedade líquida é recebido com enorme agrado por parte do nosso companheiro ocasional.

Mais à frente, encontramos um homem que aceita sempre com prazer a oferta de comida da Comunidade Vida e Paz, mas jamais responde verbalmente às nossas abordagens. Hoje, a voluntária que nunca anda sem bolachas traz-lhe uma camisa, e o inesperado acontece.

Não se pode dizer que haja uma enorme troca de palavras, não há, a bem dizer, uma transmissão de vocábulos… Mas, definitivamente, existe comunicação. Do mais alto nível. Durante longos minutos.

Noutras traseiras ocultas, sucede qualquer coisa parecida. O homem sem abrigo mais estiloso de Lisboa, que dorme de óculos escuros, e, quando fala mais de cinco minutos, nos deixa de cabeça à roda, às voltas pelos seus pensamentos labirínticos, tem um amigo gato, e costuma dar-lhe pão e bolo.

Os voluntários da Comunidade Vida e Paz e da associação Animalife propõem-lhe um saco de ração. Começa por responder: “Por enquanto, ainda não sou gato”. A comunicação processa-se com algumas interferências. Mas quando lhe mostramos o saco de marca branca, para o seu amigo felino, o rosto dele ilumina-se. Agradece muito, pede para colocarmos a oferta a um cantinho, onde não se veja e não possa ser roubada.

A última paragem costuma ser a mais enriquecedora da noite. Mas o nosso amigo, um sábio e filósofo de íntegras e determinadas convicções políticas, religiosas e sociais, está a dormir… Hoje não vamos ouvi-lo a preencher os nossos espíritos com ciência, conhecimento e factos históricos da maior relevância. Não vai comentar connosco as eleições americanas, nem o Brexit inglês.

“Quando soube que ia ser operado, disse que não a deixava”

pessoa sem abrigo

“É como uma filha. Passeio-a todos os dias, mas não vai solta. No outro dia, em Campolide, apanhei um susto dos Diabos, quando me fugiu para a estrada. Dão-lhe estes ‘vaipes’ de repente, por isso agora vai sempre com trela”. A Pituxa tem pouco mais de dois anos, é uma mistura de podengo com outra raça e é a companhia de Carlos Alves, que tem problemas na coluna e dificuldades económicas, recorrendo à ajuda de instituições.

É uma das pessoas apoiadas pela associação Animalife, que lhe fornece ração para a sua melhor amiga. Quando soube que ia ser operado, “disse ao Dr. Jorge Silva, da Câmara de Lisboa, num jantar da Comunidade Vida e Paz, que não a deixava para ser internado”. Pediu-lhe que encontrasse um sítio onde pudesse fazer a sua recuperação, mas acompanhado da Pituxa.

O resultado foi ter descoberto a Associação de Assistência de São Paulo (AASP), na Avenida Marechal Francisco Costa Gomes, em Lisboa. Uma Instituição Particular de Solidariedade que apoia pessoas sem abrigo e populações em risco de exclusão, promovendo a sua reintegração.

Esta possibilidade inovadora, de acolher pessoas a recuperar, por exemplo, de problemas de saúde, mas acompanhadas dos seus animais de estimação, é um trabalho para o qual a associação está preparada, dispondo de canil e gatil. Essa é considerada pela instituição uma situação normal – embora seja caso quase único em Portugal.

A ajuda a pessoas carenciadas e pessoas sem abrigo que tenham animais de estimação é uma questão que as instituições de solidariedade não têm conseguido resolver. O que leva a muitas situações de impasse.

Há pessoas que querem sair da rua, iniciar um processo de tratamento, desintoxicação, reinserção… Mas as instituições que estão preparadas para os acolher não aceitam animais, e, por isso, elas não saem da rua, ou não iniciam o processo de reintegração. Esta associação pode vir a ter um papel muito importante na ajuda a estas pessoas. A sua mera existência é uma excelente notícia!

Sempre na frente de combate. Por nós

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Era pelo menos a terceira vez que me avisava. A reacção facial e verbal foi tão clara e irritada, que chegou perfeitamente. Durante muito tempo não voltei a estalar ruidosamente os dedos das mãos, enquanto os dois dormitávamos no sofá ao som das rodas velozes de Ayrton Senna no circuito de Monza.

A lógica foi a mesma, anos depois, quando tive uma qualquer atitude parva e arrogante, frente ao meu pai e a outros familiares. Quando chegámos a casa ralhou-me de tal forma que não tinha onde me esconder de vergonha. Não me lembro de qual foi o meu comportamento idiota, não me recordo do que o meu pai me disse, mas a cara e o tom de voz com que me falou ficaram gravados até hoje.

Na nossa infância, adolescência e juventude, o meu pai funcionava assim… Não estava a intervir constantemente na nossa educação, dia a dia, minuto a minuto, mas quando dizia algo a tal propósito, esse algo não iria ser esquecido.

No resto do tempo o meu papá tinha mais que fazer. Sustentar-nos. Pagar as contas. Pôr comida na mesa, calças, camisolas e sapatos nos nossos corpos. Para isso, ele trabalhava dia e noite, à semana e ao fim de semana, fazia o ordenado normal (baixo) e mais outro tanto em horas extras.

Durante boa parte da nossa existência, estava longe. Ao volante do camião, e das nossas vidas, à distância. A educação diária, quotidiana, de todos os dias, horas e minutos, era dada pela minha mãe. O meu pai, ensinava-nos pelo exemplo. Mostrava-nos como a vida é dura e como temos que lutar por ela.

Nunca nos falharam um livro, uma camisa, umas cuecas, umas fotocópias, uma senha do passe, umas batatas e um peixe, uns cereais para o pequeno-almoço. O meu pai tratou disso tudo, durante toda a vida. Hoje, já somos adultos, casados ou divorciados, mas a missão dele ainda não terminou. Se há algum azar, algum problema grande, que eu não consiga resolver sozinho, ele chega-se à frente imediatamente. Continua no seu posto de combate, atento a todas as ocorrências. E nós, se andamos por cá, é por causa dele.

A culpa é da água!

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Recebeu a minha mensagem e está à porta, a minha Doutora preferida, que poderá ser mais velha do que eu mas quase parece uma rapariga acabada de sair da faculdade. Entramos rapidamente.

Depois de uma espera normal, chegam as primeiras informações. A insuficiência renal da minha pequenota, a esguia pantera negra que gosta de adormecer nos meus braços, acordar nas minhas pernas e passear nos meus ombros, inclui uma fibrose nos rins. Os nefrócitos renais tornam-se fibrócitos, e por isso não conseguem efectuar adequadamente o seu trabalho de células filtradoras das impurezas do organismo felino.

A Amélia, aliás, a “Gáta!”, só tem quatro anos. É a terceira felina a apresentar esta doença na minha casa actual. Isolando factores, concluimos que a culpa é da água cá do sítio.

As 24 horas seguintes são passadas à procura de água de Monchique, a melhor, a mais alcalina, a que tem o PH mais puro e perfeito. Encontro os venerados garrafões à quinta tentativa. A partir de agora, os felinos cá de casa apenas se hidratam com este precioso líquido da bela e inspiradora serra algarvia.

Quando os recipientes aquíferos já estão quase a caminho de casa, e após uma ou outra multa de trânsito, chega uma notícia, a partir do laboratório de análises utilizado pela clínica. A insuficiência renal da “Gáta” não lhe distorceu ou lesionou os rins, não comprometeu a sua capacidade de funcionamento, é controlável e medicável. Não lhe afectará, afirma do outro lado da linha a voz sábia e reconfortante da Doutora, a esperança de vida.

A minha “Gáta” está em condições de cumprir o meu objectivo, tornar-se, daqui a umas décadas, a mais velha do Mundo, destronando quem detinha esse título anteriormente, a doce e ronronante Poppy, que descansa em paz e felicidade no céu dos gatos. Esta britânica meiga e linda, de cor bege e ar gentil, deixou os seus humanos para sempre a 6 de Junho de 2014, após 24 anos de uma existência longa e cheia de amor e carinho. Amor e carinho, duas coisas que ela e a “Gáta” têm em comum!

Uma loja onde se oferece dignidade humana?

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Desempregada, dois filhos, três netos, Olga Cadete tem 190 euros de Rendimento Mínimo Social, que distribui pela renda da casa e pelas despesas da família, incluindo a educação de um dos filhos. Olga é uma das beneficiárias da nova loja Valor Humano, na freguesia de Santo António, em Lisboa.

 

Nesta loja, oferece-se dignidade humana. O conceito é simples e inspirado. Uma mercearia social onde as famílias carenciadas locais têm acesso a bens alimentares e produtos de primeira necessidade. Mas não pagam em euros nem cêntimos. Compram com Santo Antónios, uma nota simbólica impressa pela Junta de Freguesia.

 

Pasta de dentes, cereais, leite ou bolachas, pelo preço de dois Santo Antónios. Massa, atum, óleo, shampô, por um Santo António. São só alguns exemplos. Os alimentos e outros bens de primeira necessidade já estão a beneficiar 360 famílias da freguesia (mais de mil pessoas).

 

A Valor Humano foi criada pela Junta de Freguesia e a Portugal Telecom, em parceria com os comerciantes e empresas locais. A quantidade de Santo Antónios a que tem direito cada família é definida pelos serviços sociais da freguesia.

 

E dentro desta boa notícia, há ainda outra óptima novidade. A Animalife, associação de solidariedade que, através de donativos e voluntariado, ajuda os animais de estimação das famílias carenciadas, pessoas sem abrigo e associações de protecção animal, lutando assim contra o abandono de animais, também já está presente na loja.

 

Graças às campanhas nacionais periódicas de recolha que faz junto das grandes superfícies, fornece agora neste local ração de cão e gato, para as famílias carenciadas ali apoiadas. Uma nova forma de ajudar, neste caso as pessoas da freguesia de Santo António, a poderem manter os seus amigos de quatro patas, mesmo quando as suas condições económicas tornam isso mais difícil.

O meu pilar nesta breve passagem

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Sentada no sofá, ouvia, sem dizer uma palavra. “Sabes, aconteceu uma coisa. Se calhar ainda vais ser avó, assim de repente”.

Tinha 19 anos, a vida inteira e planos ambiciosos à minha frente. A minha mãe escutou silenciosamente, olhos semicerrados, até eu acabar. Nem uma crítica, nem uma censura, nem uma palavra mais dura. Sabia que já me bastava o pânico em que eu estava. “Não te preocupes, tudo se há-de resolver, encontramos uma solução. Estamos aqui para o que acontecer”. Acabou por ser falso alarme, mas aquele dia será recordado para sempre.

Com a minha mãe sempre foi assim. Bebeste uns copos a mais na festa do final do secundário, chegaste a casa aos pedaços e num carrinho de mão? Tudo bem, não vou abrir a boca durante um dia inteiro porque essas coisas me deixam doente de preocupação, mas… O problema é teu, não vou andar atrás de ti a dizer-te o que podes ou não fazer, já és maior de idade.

Fomos educados para a liberdade e para a responsabilidade. Somos livres mas responsáveis pelos nossos actos. A minha mãe, e o meu pai, estão sempre presentes para nos apoiar em tudo, mas nunca tomaram as decisões da nossa vida por nós, nunca impuseram nenhum caminho.

Vinte anos depois, continua a ser assim, mas ainda melhor! Sempre que vou lá a casa, eu e a minha mãe tentamos convencer o meu pai a alinhar no nosso programa preferido, passear junto ao mar. Quando não conseguimos, escapamo-nos só os dois. E temos aquelas conversas que eu e ela não conseguimos ter com mais ninguém, em que falamos de tudo, desde sempre. No regresso, a minha mãe quer invariavelmente saber se me apetece um lanchinho, um dos nossos doces favoritos, nalgum lugar de perdição calórica por onde passemos.

Quando me vou embora, depois de me encher de comida para vários dias e me perguntar várias vezes se estou bem, a minha mãe tenta ainda descobrir se está tudo a correr agradável e positivamente na minha vida, se preciso de mais alguma coisa, se me falta algo… É a minha mãe!

Como é que foste arranjar isso, tontinha?!

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Grita, rebola, contorce-se na marquesa. Odeia que lhe mexam, que lhe façam análises, que a obriguem a fazer o que quer que seja.

E a manhã já começou há um bom bocado. Saímos de casa às oito, chegamos às oito e meia, na esperança utópica de sermos atendidos logo, mas há sempre algum imprevisto quando se entra.

Feitas as análises, chega a notícia que me deixa abananado. Não só o meu menino Jeremias e a minha menina Matilde têm, há anos, insuficiência renal, além do corona vírus que lhes foi transmitido pelo meu Chiquinho.

A Amélia, esta pequenita-péste-fofa-bebé-luz-dos-meus-olhos, também sofre da mesma insuficiência renal. Com menos de quatro anos, uma idade ainda mais estúpida para enfrentar essa patologia.

Bem, é uma doença chata e desgastante para os felinos que lidam com ela, para os seus donos e para as respectivas carteiras. Mas há casos de gatos que chegam a uma idade bem respeitável para um ser ronronante, apesar de viverem com esta condição.

Também é verdade que, daqui a cinco minutos, eu posso ir a passear tranquilamente pela rua e levar com um Boeing 757 em cima dos pirulitos. E depois disso, puf, acabou-se, já não há preocupações nem felicidade.

Uma coisa é mais que certa. Se os quatro miaus cá de casa já levam diariamente com doses industriais de festinhas, miminhos, beijos e abraços – os poucos que deixam, claro – a partir de agora ainda vai ser pior! Todos eles, nomeadamente a Amélia (Aliás, a Gáta, verdadeiro nome desta péstinha) ainda vão ficar com o tempo mais ocupado no que toca a mimos do dono. É que nunca sabemos quando é que o tal avião vai passar… Daqui a cinco minutos?