Tranvía

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Alguma coisa vai acontecer

Pois, naturalmente, todos os dias, envio currículos, faço contactos, falo com amigos próximos e distantes, pessoas mais ou menos conhecidas, procuro activamente e incessantemente oportunidades de trabalho. Ainda que, supostamente, só daqui a uma semana é que esteja oficialmente desempregado.

 

Alguns considerariam que, por estar desempregado e à procura de trabalho (e não estando privado de pão para a boca, tendo, em princípio, a protecção temporária e delimitada do estatal subsídio de desemprego), teria que me sentir, ao fim de alguns dias nessa condição, imediatamente desesperado, histérico, catatónico, sem rumo e sem esperança.

 

Preocupado, apreensivo? Sim. Sei o que os poderes do Mundo, bem acima e fora dos Governos oficiais, fizeram à economia e ao trabalho nos últimos dez anos. Pagamos cada vez mais pelos mesmos bens essenciais, de que precisamos para sobreviver, mas, agora, remuneram-nos a metade, ou um terço, pelo nosso esforço. Faz sentido?

 

São essas as regras. Que levam a que tudo seja 30 vezes mais difícil para quem vive do trabalho. Sejam empregados, desempregados, de uma área ou de outra, ganhem um bocadinho mais, menos ou quase nada, quem depende da labuta diária e de mais coisa nenhuma ou ninguém está, nos dias que correm, perfeitamente entalado, pelos tais poderes invisíveis, que decidiram, há uma década e picos, fazer a folha a quem trabalha e vive do labor.

 

E por causa disso desespera-se logo de início, sem pensar que há tantos e tantos que não têm ordenado, subsídio, ou o que quer que seja? E que são cada vez mais, em boa parte, devido às tais políticas dos últimos anos… Pois não se desespera. “Alguma coisa vai acontecer”, essa é uma regra de ouro da vida.

 

Não deixo de fazer a minha corrida diária, que me dá força todos os dias. De dar os meus passeios pela rua e sentir na pele a Luz do Sol, pela qual não pagamos nada. De me sentar na esplanada, pedir um café por 60 cêntimos e deliciar-me com a observação do Mundo. De receber os abraços, os beijos, as palmadas nas costas, dos amigos, das amigas, dos familiares, dos meus pais, o meu porto e a minha âncora. De ser feliz, o mais feliz possível. Algo vai acontecer, brevemente… Algo de bom.

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