Fui ao Paraíso e voltei transformado em Elvis

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São duas raparigas simpáticas e divertidas, não muito vestidas. Uma representa um anjo, outra um diabinho. Perguntam-me se prefiro ir para o inferno ou para o paraíso. Entro na brincadeira e respondo que, se me fizerem companhia, vou para onde quiserem. Acabam por ser elas a decidir, e, vá-se lá saber porquê, enviam-me para o Paraíso, após a pose para a fotografia da praxe.

 

O paraíso é a metade mais clara da loja da Chilli Beans no Rock in Rio, e é lá para dentro que vou com a minha amiga que veio comigo ao festival, graças a dois bilhetes muito generosamente oferecidos. Depois de observar meia dúzia de pares de óculos escuros, explicamos ao amável rapaz que nos atende que estamos desempregados, e não temos dinheiro para comprar essas coisas.

 

A próxima etapa não é menos hilariante. A representação dos supermercados Continente no RIR conta com uma animação que consiste em deixar os anónimos que por ali passeiam reproduzir canções em Karaoke, para diversão das dezenas de pessoas que assistem. Escolhemos I Want To Break Free, dos Queen, e esperamos pela nossa vez. Que chega, passados alguns minutos.

 

A noite é de boa disposição e esquecimento de tudo o resto: A minha amiga, com uma voz sonante e irrepreensível, assegura na perfeição a parte técnica da actuação. Comigo fica o lado cómico do acto. Enquanto puxo pela renitente garganta, ensaio uma coreografia a preceito, imitando talvez Freddie Mercury, ou Elvis, ou uma mistura improvável dos dois.

 

É um festival muito diferente daqueles a que estávamos habituados antigamente, os quais valiam pela música, a poeira e a cerveja. No RIR cheira-se e sente-se o numerário a rolar por todo o lado. As mais diversas marcas fazem-se representar no recinto, promovendo-se e apresentando os seus serviços. A comida e a bebida são variadas, mas, a avaliar pelos preços, convém sair de casa bem alimentado e levar umas quantas barras de cereais nos bolsos…

Amigos de papel

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Parecia estranho um miúdo que ainda mal começara a escola primária agarrar numa página escrita e demonstrar que estava a lê-la, mas havia qualquer coisa de genético naquilo. A minha mãe, claro, não se fez rogada… Se, desde sempre, nos lia, a mim e à minha irmã, as histórias de banda desenhada ao adormecer, acompanhadas dos deliciosos “bum”, “crash”, “poing”, “chuif” e daí por diante, também começou a oferecer-nos imediatamente  grandes quantidades desses  volumes adorados. O Tio Patinhas, o Rato Mickey, a Mónica, Cebolinha, Cascão, Lucky Luke, Astérix, Obélix e os demais companheiros inseparáveis e maravilhosos de papel.

 

A seguir a eles vieram Os Cinco, a Patrícia, a Carlota, Os Detectives Hardy, Os Flibusteiros do Arbalète, A Casa dos 99 Fantasmas, os primeiros livros de ficção científica. A minha biblioteca era alimentada activa e incansavelmente pela minha mãe, pela minha voracidade e pelas ajudas de mais alguns familiares.

 

Engolia as histórias do FBI, as colecções Seis Tiros, o terror, o romance, o policial, a BD, as páginas sem ilustrações. Veio depois o escritor que atravessou e iluminou toda a minha juventude e as respectivas reflexões filosóficas, Milan Kundera e a sua obra completa: Os romances, evidentemente, e os ensaios, as peças de teatro, tudo o que ele se lembrasse de escrever.

 

Chegou o dia em que descobri Dostoievski,  e Tolstoi, Gogol, Gorki… Folheio os livros novos e absorvo o odor da tinta acabada de sair da gráfica. Boas almas fazem-me chegar clássicos em que a edição é tão velha que mais rapidamente recuo, no tempo, até à era das personagens. Deliro ao ser obrigado a cortar o papel para poder passar do prefácio ao primeiro capítulo e continuar a ler.

 

Os meus amigos de papel continuam a acompanhar os meus dias, e bem mais de metade do conteúdo das estantes bem alinhadas e empilhadas ao longo da minha existência foi fornecida pela minha mãe. Continuamos a olhar embevecidos para as páginas antigas como para as novas, e a contemplar, entusiasmados, mais uma relíquia preciosa que apareceu de repente: “Olha, ofereceram-me o Ressureição… E o Almas Mortas”. “A sério?! Que maravilhoso!!”.

Uma história de sobrevivência

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Deu à luz quatro bebés, na varanda de um homem que costuma matar gatos… Mas, graças a um pequeno milagre, a Núvem, cega de um olho e mãe da Chuva, do Chuvisco, da Morrinha e da Cacimba, foi salva por uma mulher que a entregou à organização Grupo de Voluntários de Cascais. A jovem mãe, de três quilos, foi reunida a mais três bebés órfãos, de dez dias, a Neve, a Geada e o Orvalho, que assumiu rapidamente como seus filhotes.

Foi em Março, mês de clima instável, e todos os minúsculos seres sofreram terríveis constipações, infecções nos olhos e problemas respiratórios. Os pequeninos, além de tudo, tiveram que ser alimentados a biberão, porque a mini-mamã não tinha leite suficiente para todos.

Uma das gatitas teve que fazer uma operação difícil e complicada, para que o seu recto ficasse no sítio. Intervenção mais que delicada: A bebé pesava 160 gramas e estava a sofrer uma perigosa constipação.

Três semanas foram o tempo necessário para que esta família de micro-sobreviventes ficasse totalmente fora de perigo. Estes seres frágeis, doces e irresistíveis estão disponíveis para ser adoptados, tendo entre dois meses e dois meses e meio. Dois, a Neve e a Morrinha, já encontraram uma família para amá-los e protegê-los. O Grupo de Voluntários de Cascais acolhe outros pedidos de adopção através dos contactos 913 250 766 ou 914082702 – ou, ainda, do mail g.voluntarios@gmail.com.

“Vocês são as primeiras pessoas com quem falo hoje”

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“Vocês são as primeiras pessoas com quem falo hoje”, diz-nos, quando chegamos. São quase onze e meia da noite. Conta-nos como foi parar à rua, há 30 anos. Tinha uma namorada, as coisas não correram bem: Tentaram várias vezes e não deu certo. “Tu segues por esse caminho acima, e eu vou por ali abaixo”. Mas ela não aceitou bem. Eram tempos de ditadura naquele país da América Latina, a mulher inconformada arranjou-lhe problemas com o poder, fez circular que ele era contra o regime… Três décadas depois, continua a habitar numa calçada da cidade, possuindo apenas a roupa do corpo. Não tem nada, mas todas as noites diz que é feliz.

 

É um dia diferente, é feriado e dá a ideia que quase toda a gente está um tanto alcoolizada. Há um homem, noutra parte da cidade, que está com a veia romântica acesa. Aceita a sandes, desfruta bastante da conversa que lhe oferecemos e não nos quer deixar ir embora. Diz que está apaixonado pela nossa nova voluntária, não se quer separar dela. Entre o hálito festivo, as gargalhadas alegres e um estado de espírito instável, pergunta-lhe onde mora, não acredita na resposta e pede-lhe para namorar com ele. Não aceita, até porque é casada e mãe há muitos anos. Implica diversos e profundos esforços diplomáticos, masculinos e femininos, separarmo-nos do homem, deixá-lo terminar a sua noite tranquilamente e prosseguir com o nosso trabalho.

 

A pouco mais de um quilómetro, a dupla de amigos da Europa de Leste também está acentuadamente carregada de álcool, e com uma disposição de espírito ainda mais imprevisível. Após ir a um vão de escada escuro e sombrio assegurar que, de facto, é meia dúzia de homens que está a precisar de comida, e deixá-la aí entregue, os ânimos acalmam-se e pacificam-se por completo.

 

No local citadino mais central e mais concorrido por pessoas carenciadas, a conversa decorre em tom cordial, ordeiro e fluente, com um homem que sofre de doença bipolar e distúrbio obsessivo compulsivo. Mesmo com a medicação completa, considera que nunca se sente humanamente a 100 por cento, apenas a 20. Explica que é uma doença difícil e complicada. Tem que ter as coisas todas extremamente bem arrumadas. Depois, no dia seguinte, pode chegá-las todas um centímetro para a direita, ou um milímetro para a esquerda. Têm necessariamente que satisfazer o seu sentido doentio de ordem, o posicionamento perfeito e impossível.

 

Noite de agitadas e animadas conversas, dos voluntários da Comunidade Vida e Paz com as Pessoas Sem Abrigo de Lisboa. Horas de apoio, fraternidade, momentos em que se oferece uma sandes, um bolo, uma palavra amiga, um caminho…

Alguma coisa vai acontecer

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Pois, naturalmente, todos os dias, envio currículos, faço contactos, falo com amigos próximos e distantes, pessoas mais ou menos conhecidas, procuro activamente e incessantemente oportunidades de trabalho. Ainda que, supostamente, só daqui a uma semana é que esteja oficialmente desempregado.

 

Alguns considerariam que, por estar desempregado e à procura de trabalho (e não estando privado de pão para a boca, tendo, em princípio, a protecção temporária e delimitada do estatal subsídio de desemprego), teria que me sentir, ao fim de alguns dias nessa condição, imediatamente desesperado, histérico, catatónico, sem rumo e sem esperança.

 

Preocupado, apreensivo? Sim. Sei o que os poderes do Mundo, bem acima e fora dos Governos oficiais, fizeram à economia e ao trabalho nos últimos dez anos. Pagamos cada vez mais pelos mesmos bens essenciais, de que precisamos para sobreviver, mas, agora, remuneram-nos a metade, ou um terço, pelo nosso esforço. Faz sentido?

 

São essas as regras. Que levam a que tudo seja 30 vezes mais difícil para quem vive do trabalho. Sejam empregados, desempregados, de uma área ou de outra, ganhem um bocadinho mais, menos ou quase nada, quem depende da labuta diária e de mais coisa nenhuma ou ninguém está, nos dias que correm, perfeitamente entalado, pelos tais poderes invisíveis, que decidiram, há uma década e picos, fazer a folha a quem trabalha e vive do labor.

 

E por causa disso desespera-se logo de início, sem pensar que há tantos e tantos que não têm ordenado, subsídio, ou o que quer que seja? E que são cada vez mais, em boa parte, devido às tais políticas dos últimos anos… Pois não se desespera. “Alguma coisa vai acontecer”, essa é uma regra de ouro da vida.

 

Não deixo de fazer a minha corrida diária, que me dá força todos os dias. De dar os meus passeios pela rua e sentir na pele a Luz do Sol, pela qual não pagamos nada. De me sentar na esplanada, pedir um café por 60 cêntimos e deliciar-me com a observação do Mundo. De receber os abraços, os beijos, as palmadas nas costas, dos amigos, das amigas, dos familiares, dos meus pais, o meu porto e a minha âncora. De ser feliz, o mais feliz possível. Algo vai acontecer, brevemente… Algo de bom.

Uma história que está por terminar

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Viu-me, olhou para mim, e começou logo a brincar comigo. Queria dar-me dentadinhas carinhosas, agarrar-me meigamente, mostrar-me como é um ser sociável e divertido. Estava acolhido no armazém e na área da manutenção, pelas pessoas que lá trabalhavam, após ter sido abandonado por humanos desumanos ali junto à empresa.

 

Tirámos-lhe fotografias, começámos a mostrá-las aos amigos, a divulgá-las nas redes sociais. Tem mais de um ano, já não é um bebé minúsculo, um bonequinho. Tem sido difícil, impossível, até agora, encontrar-lhe um dono: Alguém carinhoso, responsável, dedicado, que cuide dele e lhe assegure o conforto material e espiritual de que precisa.

 

A situação das pessoas que o têm protegido temporariamente é precária, como o é a da empresa em que trabalham, em geral. Toda a gente no edifício conhece este “malhadinho”, mas todos os que gostam de felinos já têm quase um gatil em casa.

 

Tudo isto aconteceu no meu último mês naquela empresa. Passei a visitar aquele pequenote brincalhão, doce e educado, habituado às regras domésticas e à casa de banho felina, todos os dias. Senti  que, de algum modo, o meu Destino e o dele estavam ligados. Ia visitá-lo uma ou duas vezes por dia, brincava com ele, oferecíamos um ao outro mimo e apoio.

 

Deixei de estar por lá há um mês, mas continuo a ter notícias dele. Ainda não encontrou um lar, alguém que o mime e acarinhe, tomando conta da sua saúde e do seu bem-estar espiritual. O Cronista gostava de dar um final feliz a esta história, e os seus leitores talvez possam ajudá-lo. Se acharem que podem fazê-lo, enviem mensagem privada para o Facebook ou o 96 248 19 71… E partilhem, todos, o máximo possível.

Ou se acorda ou se acorda

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O relógio marca as seis da manhã. Está mais que na hora, pouco interessa se estou com trabalho ou desempregado, se há uma reunião ou entrevista marcada, ou nada. É tempo. Fora da cama. Acordar, higiene matinal, pequeno almoço, tratamentos felinos e respectivos mimos… E já são oito. Sapatilhas a cruzar a estrada, canelas rua acima, uma subida a pique, dez minutos.

 

Por esta altura, ou já se acordou ou já se acordou. E deu tempo para perceber se estou cansado, enérgico, ensonado ou a rebentar de espertina. Sapadores, Largo da Graça, em frente, até ao fundo. Virar à direita, a primeira descida, tão íngreme como a subida anterior, e Lisboa, o Castelo, o Tejo, a Margem Sul.  O Mundo, que desperta…

 

Deslizar calçada abaixo, passar pela garagem de tuk-tuks, outra vez ao nível do rio, subir de novo, rumo à Costa do Castelo. Percorrê-la, descer, subir, ficar à porta do Castelo de São Jorge, descer, descer, descer, até à Baixa. Subir, subir, até perto do Chiado.

 

Os pés calcam o pó, as pernas puxam o corpo, a mente divaga, o cérebro vai planeando, viajando, escrevendo – seja lá o que for. No final, repetir tudo, ao contrário. Uma horita, ao início da manhã, diariamente. Faça chuva, faça Sol. Haja trabalho, ou desemprego. Aconteça alegria, ou tristeza. Todos os dias.

 

Pronto para começar o dia, enfentar o que haja para viver. Com humor, tranquildade, optimismo. E muita, muita energia. Assim se prepararam quatro maratonas e outras lutas, muito mais difíceis.  É este o segredo do cronista…

Através de um oceano de tempo

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A luz incide de forma especial sobre as campas do cemitério alemão de Sighisoara, na Transilvânia, com mais de cem anos. É mais escassa, mas é a mesma que timidamente ilumina, centenas de metros mais abaixo, a velha torre do relógio desta turística cidade medieval romena. Como nalguns outros lugares do país, dois dias chegam para que o viajante se instale, aprecie a gastronomia local e visite o que há a conhecer.

 

 

Em 11 dias, é possível fazer o ambicioso percurso Bucareste-Sinaia-Sighisoara-ClujNapoca-Suceava-Bucareste, ficando a conhecer parte da Transilvânia e uma ou outra cidade da Moldávia. Mas só para quem não se importar de fazer duas, três ou sete horas de comboio seguidas…

 

 

Os castelos, igrejas, museus e restantes locais turísticos, bem como hotéis bastante confortáveis a preço de pensão, fazem esquecer qualquer inconveniente dessa peregrinação. Os autocarros são confusos, mas asseguram ligações internas e externas nas principais cidades. Num país relativamente imprevisível, sem conhecer nada da língua, não parece a melhor das ideias alugar um carro.

 

 

Paragem indispensável: A casa-restaurante de Vlad Drácula, onde o mesmo terá nascido e passado a infância, em Sighisoara. Por pouco mais de 25 euros, uma refeição digna do príncipe das trevas, nobremente regada com Pinot Noir. À luz de velas, entre cortinados cor de vinho e madeiras que rangem de acordo com a circunstância e o lugar. Enquanto nos faz companhia, a música celta transporta-nos suavemente ao tempo dos druidas…

A estação das ilusões

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Sento-me na esplanada para beber uma água e comer alguma coisa, observando os preços, moderados. Mas este é um lugar contraditório, onde se misturam existências completamente opostas. Enquanto espero que o empregado, do Bangladesh, venha atender-me, há um senhor idoso, sentado no vão da porta do lado e alcoolizado, que grita de irritação.

 

 

O empregado asiático está a tomar conta de 12 mesas com quatro a cinco pessoas cada, completamente sozinho, talvez mesmo por ser asíatico: O colega português não serve ninguém, limita-se a conversar com clientes ou amigos que vão aparecendo no restaurante.

 

 

Santa Apolónia é o sítio onde se cruzam febrilmente viajantes de todo o Mundo, turistas europeus endinheirados, passageiros de cruzeiros, jovens de mochila às costas, muitas notas de euros a circular nas mesas dos cafés, e uma quantidade bastante significativa de homens (e algumas mulheres) alcoólicos, toxicodependentes, pessoas que vivem no limite e dormem na rua, na estação ou à volta dela. Há a miséria humana que leva a estes descaminhos e à anulação da vida, e há a pobreza que salta à vista, mesmo que sem grande interferência das referidas substâncias destrutivas.

 

 

Quando nos sentamos na esplanada para pedir uma água e uma sandes, é complicado, porque todas essas vivências radicais se atacam intensamente. É difícil receber a tal sandes e ver o homem de 50 e muitos anos que olha, cobiçosa e desconsoladamente, para os pedaços de pão que vêm ter connosco.

 

 

O empregado do Bangladesh, obviamente simpático, trabalhador e eficiente, começa a conversar no seu inglês perfeito com a mulher oriunda da Ásia, turista de carteira recheada, e trocam impressões sobre o seu continente natal e sobre Inglaterra, onde viveram os dois. Como preguiçosamente, bebo a minha água, desejo boa estadia, em inglês, ao gentil casal anglo-asiático. Ela, escura e charmosa, ele, branco, aloirado, cordial, responde-me de volta, também em inglês, “boas férias”…

Construções lunares no Cais das Colunas

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Parecem misteriosas construções lunares, extraterrestres. Casas? Seres? Monumentos? Na Ribeira das Naus, junto ao Cais das Colunas, o homem de bigode e barba cuidadosamente aparados vai colocando pedra sobre pedra, um pedaço depois do outro, e vai edificando a sua arte.

 

 

Turistas e lisboetas observam com enorme curiosidade. Uma rapariga meio espanhola, meio portuguesa, que vive na rua, atravessa a estrada a protestar aos gritos com o carro que não a deixa passar. Mas quando chega junto destas obras de arte, acalma-se. “Creativo! Muy bonito!”.

 

 

Tudo isto tem uma técnica, explica-me um professor que já está a observar há mais tempo o artista. O jovem vai empinando os bocados de calçada ou rocha em posições específicas e estudadas. E no seu trabalho emprega ainda ferros, arames, guarda-chuvas inutilizados, colheres de café em metal, o que se proporcionar.

 

 

O atento docente disserta: Acredita que tudo isto tenha começado como um mero passatempo, uma brincadeira, como tanta coisa na vida, e depois foi crescendo. O construtor de novas formas artísticas tem mesmo uma página no Facebook https://www.facebook.com/sopadepedras/, onde interage com quem observa o seu trabalho, coloca fotos e suscita comentários.

 

Por enquanto, ganha algumas moedas com a sua ocupação, e muitos elogios. Tem andado por diversos lugares, em Portugal Continental e nas ilhas, e por lá tem mostrado o seu talento. E a nós, também já nos fez viajar um pouco.